Colonizar

No limite, uma ação de domínio, seja territorial, seja político-ideológico. Ato deliberado, a promover processos de expansão e exploração, instaurando-se outras formas sobre paisagens anteriores, que serão assim transformadas. Tais processos envolvem e provocam, historicamente, migrações de vários níveis de impacto, alcance — veja-se, por exemplo, a escala interplanetária em progresso no tempo presente — conflito e disputa, como guerras e outros modos de violência, inclusive simbólica, sob formas variadas de sujeição. Situações extremas de colonizar, tanto no passado como no presente, estão documentadas, demonstrando-se a permanência de antiga prática de subjugar gentes, impondo-lhes um novo cenário e condição, por exemplo, como escravos.

Pressupõe ainda a invasão, como estratégia ou atividade inerente à própria ação de colonizar.

A colonização, compreendida em sua dimensão histórica, é um drama de longa duração, com raízes profundas na memória cultural das sociedades, como a expansão de antigos impérios pelo progressivo domínio de territórios ancestrais conquistados e submetidos de forma violenta. Hoje, considerada a história da Palestina, por onde se movimentam as disputas entre atores antagônicos, marcadas pela violência sionista contra os palestinos, a envolver narrativas e imaginários que se confundem num passado original remoto, entram em cena apoiadores com poderio militar expressivo, que fomentam uma guerra de extermínio.

Assistimo-la transmitida pelas redes e canais diversos, nas cenas terríveis dos ataques de Israel a Gaza, que evidenciam a estratégia genocida em marcha: colonizar o território da antiga Palestina é a execução de um plano expansionista, inflamado pela retórica mítica, com apoio principal estadunidense (e seu evidente interesse geopolítico). A colonização empreendida pela guerra sionista, com apoio de armas vendidas a Israel por indústrias bélicas das nações hipócritas que condenam essa guerra, é o capítulo trágico atual do transe do mundo.

Silvio Luiz Cordeiro