Para além do palimpsesto, sugerido pela imagem expressiva dos vestígios físicos contrastantes que restam de outras temporalidades nos lugares habitados, propomos aqui a metáfora da paisagem como teatro, na dimensão sugestiva da paisagem enquanto cena ou expressão cênica — palco-arena-lugar — transformada no tempo, ambiente em que as sociedades agem, atuam, habitam.
Idealizada pelo arquiteto e arqueólogo brasileiro Silvio Luiz Cordeiro e pelo filósofo alemão Dirk Michael Hennrich, a Antropocênica nasceu primeiramente em 2018 como projeto de ensaio audiovisual que, no mesmo ano, desdobra-se em iniciativa maior: produzir uma série internacional itinerante para propiciar diálogos interculturais e aberta aos estudos, reflexões e debates críticos sobre as "cenas do drama humano no teatro do mundo em mutação", reunindo pessoas em áreas diversas do conhecimento. Em 2019, o escritor e filósofo indígena Ailton Krenak é convidado para participar da série. No ano seguinte, a arqueóloga Maria da Conceição Lopes passa a integrar a coordenação geral com ambos idealizadores, visando a produção de três encontros.
Antropocênica abriga, desde sua origem em 2018, a transversalidade na interconexão de áreas que abrangem da filosofia às artes, do urbanismo à arqueologia, da história à antropologia, da ciência política à geografia, entre outras disciplinas afins.