Manifestação popular no dia 24 de outubro de 2026, Avenida Paulista, São Paulo, Brasil. Imagem aérea de Ricardo Stuckert. Ao lado, imagem de Maria Isabel Oliveira.
Manifestação popular no dia 24 de outubro de 2026, Avenida Paulista, São Paulo, Brasil. Imagem aérea de Ricardo Stuckert. Ao lado, imagem de Maria Isabel Oliveira.
Declaração
Como um coletivo independente de pessoas solidárias, em defesa incondicional do Estado Democrático de Direito; dos direitos sociais e ambientais; da Natureza, seus biomas e seres; da diversidade cultural e de gênero; pela luta dos povos originários, quilombolas e demais comunidades tradicionais por seus territórios; pela educação pública, incentivo à ciência e à cultura; pela saúde pública; e contra o avanço do imperialismo estadunidense na América do Sul e ideologias neofascistas de extrema-direita, que disseminam formas de violência no mundo, reiteramos o nosso apoio ao Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito Presidente da República Federativa do Brasil em 25 de outubro de 2026, vitória exemplar impulsionada pela atuação crucial da juventude de estudantes, artistas, coletivos e pessoas influentes nas redes, em mobilização histórica do Povo Multiétnico Brasileiro. Viva a Democracia! Viva o Brasil!
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Antropocênica
A partir da interação entre as esferas ◯ ◯ ◯ da Arqueologia, Filosofia e Arquitetura, a série internacional Antropocênica se constitui pelo exercício transdisciplinar, com uma trienal já realizada (Portugal 2022, Brasil 2023, Portugal e Cabo Verde 2024), para refletir sobre e para além do Antropoceno, época das transformações provocadas na Terra por impactos da atuação humana, mas aqui considerada desde um passado remoto ao presente, sob o Capitalismo, em que predomina o modo de vida urbano e reverberam múltiplas formas de violência inerentes ao sistema.
Antropocênica não é sinônimo de Antropoceno: a perspectiva da série é mais ampla, ao abranger a humanidade na história, mas relevando-se os impactos da colonização e do capital nas dinâmicas extrativistas engendradas no mundo contemporâneo a partir da modernidade e dialoga com outras frentes de interpretação — em neologismos tais como o Capitaloceno, o Plantationoceno, o Piroceno — e reconhece a importância de iniciativas que elaboram estudos como o Feral Atlas e que constituem coletivos de agência política como o Tribunal dos Direitos da Natureza, entre muitas outras, para interpretarmos essa complexa teia de processos envolventes que estão nas origens da crise global em que vivemos no presente.
Para além do palimpsesto, sugerido pela imagem expressiva dos vestígios físicos contrastantes que restam de outras temporalidades nos lugares habitados, propomos aqui a metáfora da paisagem como teatro, na dimensão sugestiva da paisagem enquanto cena ou expressão cênica — palco-arena-lugar — transformada no tempo, ambiente em que as sociedades agem, atuam, habitam.
Idealizada pelo arquiteto e arqueólogo brasileiro Silvio Luiz Cordeiro e pelo filósofo alemão Dirk Michael Hennrich, a Antropocênica nasceu primeiramente em 2018 como projeto de ensaio audiovisual que, no mesmo ano, desdobra-se em iniciativa maior: produzir uma série internacional itinerante para propiciar diálogos interculturais e aberta aos estudos, reflexões e debates críticos sobre as "cenas do drama humano no teatro do mundo em mutação", reunindo pessoas em áreas diversas do conhecimento. Em 2019, o escritor e filósofo indígena Ailton Krenak é convidado para participar da série. No ano seguinte, a arqueóloga Maria da Conceição Lopes passa a integrar a coordenação geral com ambos idealizadores, visando a produção de três encontros.
Antropocênica abriga, desde sua origem em 2018, a transversalidade na interconexão de áreas que abrangem da filosofia às artes, do urbanismo à arqueologia, da história à antropologia, da ciência política à geografia, entre outras disciplinas afins.
Nessa primeira trienal realizada em Portugal, Brasil e Cabo Verde, a Antropocênica propôs, como cenário de fundo, a perspectiva da experiência histórica da colonização empreendida pelos ibéricos a partir do século XV, mas com ênfase na expansão marítima portuguesa, compreendida como processo transformador-construtor de sociedades e paisagens culturais diversas, ao configurar um império de novo tipo, isto é, formado por territórios não-contíguos, interconectados por vias marítimas. Deste modo, evidenciamos lugares intensamente explorados no passado, numa economia baseada no trabalho escravo em lugares dominados por colonos e mercadores, sob a chancela de Portugal.
Tal perspectiva contribui para se reconhecer a complexa trama de relações de dominação e intercâmbios havidos, que está na origem de problemas estruturais vivenciados no presente por sociedades do chamado Sul Global. A série assim releva a complexidade de interações entre múltiplos agentes e fatores envolvidos na violenta exploração de seres (humanos e não-humanos) e ambientes, abrindo espaço às formas contemporâneas de pensamento, representação e elaboração de narrativas críticas ao Capitalismo que expande o modo de vida urbano no planeta; e de expressão artística, filosófica e científica, incluindo aquelas produzidas por etnias historicamente subjugadas na exploração colonial.
Em 2024, a Antropocênica aconteceu com um time do Teat(r)o Oficina, especialmente convidado a participar dessa jornada da série, que aconteceu novamente em Portugal e depois seguiu viagem para Cabo Verde, quando concluímos o terceiro encontro da trienal.
Refletimos sobre o Transe que envolve a Terra, num complexo cenário de impactos, como os que ampliam as migrações, pressionam as travessias humanas entre lugares, sobretudo de refugiados, que buscam sobreviver para viver uma vida melhor, enquanto a exploração econômica predatória promove a extinção em massa de seres e intensifica as mudanças climáticas neste planeta que é a nossa morada cósmica comum.
O conhecimento elaborado nos encontros itinerantes dessa jornada coletiva fortalece a luta contra os múltiplos fatores que avançam com a ascensão dos novos fascismos. Atentos e conscientes sobre este cenário, afirmamos que juntos somos mais fortes para enfrentarmos o porvir.
No vídeo a seguir, a mensagem especial de Ailton Krenak, que abriu a Antropocênica em 6 de outubro de 2022 na Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa, Portugal, no primeiro encontro da série:
Veja a memória audiovisual da Antropocênica 2 realizada no Brasil entre os dias 22 de agosto e 2 de setembro 2023 em Santarém do Pará, de forma itinerante com pessoas convidadas de sete países (Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Alemanha, Portugal, Espanha e Brasil), incluindo atividades na Universidade Federal do Oeste do Pará, na comunidade quilombola de Murumurutuba e uma viagem de dois dias pelo rio Tapajós no navio Abaré da UFOPA, com atividades na Aldeia Kumaruara de Solimões:
Informe-se sobre o contexto geral da série Antropocênica na esfera abaixo: