Antropocénica


Situada no encontro e interacção entre as esferas da Filosofia, Arqueologia e Arquitectura, a série internacional Antropocénica se constitui pelo exercício transdisciplinar, em três edições — Portugal 2022, Brasil 2023 e Cabo Verde 2024 — com a presença de conferencistas convidados, integrantes da Comissão Científica especialmente constituída, além de apresentações a partir de selecção de propostas de comunicação inscritas, para se reflectir sobre o chamado Antropoceno, era das transformações provocadas no planeta por impactos da actuação humana, mas aqui considerada desde um passado remoto ao presente, sob o Capitalismo, em que predomina o modo de vida urbano e reverberam múltiplas formas de violência inerentes ao sistema. A perspectiva, portanto, busca abranger a humanidade na história, mas relevando-se os impactos do capital nas dinâmicas engendradas no mundo contemporâneo.

Cartaz do primeiro encontro da série em Portugal. Imagem de fundo cedida pelo fotojornalista Lalo de Almeida, convidado especial.

Para além do palimpsesto, sugerido pela imagem expressiva dos vestígios físicos contrastantes que restam de outras temporalidades nos lugares habitados, propomos aqui a metáfora da paisagem como teatro, na dimensão sugestiva da paisagem enquanto cena ou expressão cênicapalco-arena-lugar — transformada no tempo, ambiente em que as sociedades agem, actuam, habitam. Antropocénica é uma iniciativa de reflexão e debate crítico, reunindo pessoas em áreas diversas do conhecimento, que pensam e expressam o Antropoceno em suas obras e produções. Consideramos a transversalidade na interconexão de áreas que abrangem da filosofia às artes, do urbanismo à arqueologia, da história à antropologia, da geografia à geologia, entre outras disciplinas afins.


Como cenário de fundo, a curadoria propõe a perspectiva da experiência histórica da colonização empreendida pelos ibéricos a partir do século XV, mas com ênfase na expansão marítima portuguesa, compreendida como processo transformador-construtor de sociedades e paisagens culturais diversas, ao configurar um império de novo tipo, isto é, formado por territórios não-contíguos, interconectados por vias marítimas. Deste modo, evidenciamos lugares que conformaram, no passado, os territórios dominados por colonos e mercadores, sob a chancela de Portugal. Tal perspectiva contribui para se reconhecer a complexa trama de relações e intercâmbios havidos, e que está na origem de problemas estruturais vivenciados no presente por sociedades do chamado Sul Global.


A série assim releva a complexidade de interacções entre múltiplos agentes e fatores envolvidos na exploração humana e ambiental, abrindo espaço às formas contemporâneas de pensamento, representação e elaboração de narrativas críticas ao Capitalismo; e de expressão artística, filosófica e científica, incluindo aquelas produzidas por etnias historicamente subjugadas na expansão capitalista.


Informe-se sobre o contexto da série internacional Antropocénica na esfera abaixo:

Veja as comunicações apresentadas nos dias 6 e 7 de Outubro de 2022 na Fundação Caloute Gulbenkian em Lisboa pela nossa playlist do Canal Antropocénica do YouTube na esfera abaixo:

Observações

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